segunda-feira, 30 de maio de 2011

Novo Programa da Alfabetização é apresentado em Canoas

Seminários Regionais


Nesta terça-feira (26), cerca de 600 alfabetizadores da Região Metropolitana conhecem o Programa de Progressão Continuada na Alfabetização e Letramento proposto pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), no Seminário Regional sobre o Programa promovido em parceria da Seduc com as Coordenadorias Regionais da Educação 2ª, 27ª e 28ª (São Leopoldo, Canoas e Gravataí).


Após a abertura do encontro, da qual participou o secretário da Educação, Professor Jose Clovis de Azevedo, foi feita a apresentação da proposta pelo diretor pedagógico da Secretaria de Estado da Educação, Silvio Rocha, e feita palestra pela professora Ivany Souza Ávila, da UFRGS e parceira da Seduc na realização dos Seminários. “Hoje reencontro muitas pessoas que construíram sonhos e partilharam decepções”, frisou o diretor pedagógico, reafirmando a importância de sonhar com o olhar da possibilidade, mesmo diante de dificuldades em lidar com a rede estadual, em função do seu tamanho e pelas especificidades – étnicas, sociais e econômicas. “Temos um grande desafio pela frente, que é reprensar os anos iniciais com a peculiaridade da progressão continuada”, disse o diretor. Silvio Rocha frisou: não se trata de promoção automática. “Queremos é acompanhar o processo de aprendizagem de nossos alunos, diante da peculiaridade e momento de cada um deles”, explicou o diretor.  

Programa de Alfabetização
O programa em implementação na rede estadual responde a uma necessidade dos professores alfabetizadores, que buscam qualificar sua prática pedagógica, e do Governo Estadual, que tem o dever de desenvolver seus próprios programas de qualificação decorrentes de uma política de Estado. O Programa está estruturado para instrumentalizar os professores dos anos iniciais na busca de ações educativas qualificadas que levem à formação integral dos alunos. A intenção é desenvolver metodologia que articule, nos três anos das séries iniciais, os conceitos de alfabetização e de letramento e esteja relacionada à realidade do aluno. Assim, as quatro áreas do conhecimento – Linguagens (Língua Portuguesa, Língua Materna, Arte e Educação Física), Matemática, Ciências da Natureza (Ciências) e Ciências Humanas (Geografia e História), além do Ensino Religioso, deverão ser trabalhadas de forma conjunta pelos professores. O programa prevê a realização de pesquisa socioantropológica, cujo resultado vai contribuir para a definição do eixo temático de cada escola ou região. A partir do eixo temático e da escolha de referencial teórico específico, os professores poderão definir os eixos cognitivos de atuação, as atividades e os resultados e formular sugestões. “Precisamos olhar para a cultura do nosso aluno de forma organizada, por meio da pesquisa, para analisar criticamente o contexto no qual ele está inserido”.

O diretor fez um convite: estamos diante de um desafio grande, que revela nossas contradições e limitações. Mas quero encerrar lembrando uma poesia, que diz que outros pés caminham conosco, são rubros, são negros, são diversos, e somente juntos moldam o chão. Vamos conseguir melhorar a qualidade da nossa educação e moldar nosso chão se caminharmos juntos”.

Psicogênese da língua escrita Na sequência, a professora Ivany Souza Ávila iniciou seu contato com os professores. Alfabetização e letramento a partir da psicogênese da língua escrita, da teoria do desenvolvimento humano de Piaget e a consciência fonológica foram o norte da conversa com os educadores. “Gostaria de me congratular com a secretaria. Neste programa vejo marcas de paixão pela educação, e somente com a paixão podemos nos manter educadores, professores e profissionais competentes”, enfatizou Ivany no início de sua fala, frisando que a transformação de sonhos em projetos para chegar em uma meta. “É isso o que vejo neste momento e neste programa”.

Ivany Ávila parte da Psicogênese da língua escrita, termo desenvolvido pela psicolinguista argentina Emilia Ferreiro para apresentar a concepção de sobre o processo de alfabetização que não apresenta método pedagógico, mas revela os processos de aprendizado das crianças, levando a conclusões que puseram em questão os métodos tradicionais de ensino da leitura e da escrita. "A história da alfabetização pode ser dividida em antes e depois de Emilia Ferreiro e da Psicogênese", frisou a palestrante. “Todas as crianças são alfabetizáveis. É preciso respeitar o momento de cada uma”, provoca a doutora em educação. Ela também comentou a relação com a pesquisa socioantropológica com a alfabetização. “Ela é importante para conhecer essas pessoas que vão ser alfabetizadas, em que mundo vivem, mas também vamos olhar para o mundo da escrita da comunidade. Vamos investigar o grau de letramento, conhecer as coisas escritas que estão na comunidade e que podem ser ferramentas na sala de aula; este é um processo riquíssimo”, resumiu.

A professora também comentou o formato dos três anos de alfabetização que se mostram como um bloco, uma sequencia, é muito feliz No que a reprovação ajuda as crianças a aprenderem? A serem mais felizes? A se desenvolverem como seres humanos? A progressão continuada é muito feliz. Compreender em que momento as crianças estão é fundamental para o êxito da alfabetização, resumiu Ivany Souza Ávila.

O trabalho continua à tarde, com a apresentação de nove relatos de Boas Práticas e mediação da prática com a teoria. As mediadoras das três mesas de trabalho são as professoras Ivany Souza Ávila, Patrícia Pinho e Marisa Laureano.